Friday, January 19, 2007

Campeão da América


DIRETORIA E COMISSÃO TÉCNICA

Presidente
: Fábio André Koff
Vice de futebol: Alberto Galia
Diretores: Túlio Macedo e Rudy Armin Petry
Supervisor: Antônio Carlos Verardi
Preparador físico: Ithon Fritzen
Médico: Dirceu Colla

A Taça

Revistas e Jornais

Final - Grêmio 2 x 1 Peñarol

Final - 2°jogo - 28 de julho de 1983



GRÊMIO: Mazaropi; Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, Caio (César) e Tarciso.
Técnico: Valdir Espinosa

PEÑAROL: G.Fernández, W.Olivera, Gutiérrez, Montelongo, Diogo, Bossio, Silva, Saralegui, Morena, Zalazar, V.Ramos.
Técnico: Hugo Bagnulo

Data: 28 de julho de 1983
Local: Estádio Olímpico, Porto Alegre
Juiz: Edison Perez (Peru)

Público: 73.093 pessoas
Renda: Cr$ 110.551.500
Gols: Caio aos 10 do 1º; Morena aos 25 e César aos 31 do 2º tempo
Cartões Amarelos: Paulo Roberto, Tita, Renato (G). Oliveira, Saralégui e Morena (P)
Cartão Vermelho: Renato (G) e Ramos (P) aos 42min do 2°






Jogos para Sempre - Goldogremio.blogspot.com


Final - Penãrol 1 x 1 Grêmio

Final - 1°jogo - 22 de julho de 1983



PENAROL: Fernandes; Montelongo, Olivera, Gutiérrez, Diogo, Bossio, Zalazar, Saralegui, Silva (Villareal), Ramos e Morena
Técnico: Hugo Bagnulo


GREMIO: Mazaropi; Paulo Roberto, Leandro, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, Caio (César) e Tarciso (Tonho).
Técnico: Valdir Espinosa

Data: 22 de julho de 1983
Local: Estádio Centenário (URU)
Público: 70.000 pessoas

Árbitro: T. Nitti (Arg)
Gols : Tita e Morena


Classificação final dos triangulares

Grupo 1
- 1° Penãrol - 7 pontos , 3 vitórias, 1 empate, 0 derrotas, 5 gp, 1 gc
- 2° Nacional - 4 pontos , 2 vitórias, 0 empate, 2 derrotas, 8 gp, 6 gc
- 3° Atlético - 1 pontos , 0 vitórias, 1 empate, 3 derrotas, 2 gp, 8 gc

Grupo 2
- 1° Grêmio - 5 pontos , 2 vitórias, 1 empate, 1 derrota, 7 gp, 6 gc
- 2° Estudiantes - 4 pontos , 1 vitória, 2 empates, 1 derrotas, 6 gp, 5 gc
- 3° América - 3 pontos , 1 vitórias, 1 empate, 2 derrotas, 2 gp, 4 gc

Semifinais - Estudiantes 3 x 3 Gremio

Triangular semifinal - 4° jogo - 8 de julho de 1983



ESTUDIANTES: Bertero; Camino, German (Teves), Aguero, Gugnali, M.A. Russo,
Sabella, J.D. Ponce, Trama, Trobbiani E Gurrieri.
Técnico: Manera


GREMIO: Mazaropi, Paulo Roberto, Leandro, De Leon, Casemiro, China, Osvaldo,
Tita, Renato, Caio (César), Tarciso (Tonho).
Técnico:Valdir Espinosa

Reservas: Beto, Newmar , Róbson, Tonho e Cesar.


Data: 08 De Julho De 1983
Cidade: La Plata
Estádio: Jorge Luis Hirschi

Juiz: L. Da Rosa (Uruguai), Ramón Barreto e Artemio Sension
Gols: Gurrieri aos 39min, Osvaldo aos 45 do 1ºtempo ; César aos 7, Renato aos 18, Gurrieri aos 31 e Gugnali aos 42 do 2º tempo.
Expulsão: Ponce e Trobbiani aos 33 do 1ºt; Camino aos 24 e Tevez aos 30 do 2ºt


Texto do site do Gremio:
"No dia 08 de julho de 1983, o Grêmio viveu um dos momentos mais dramáticos de sua história. Era uma sexta-feira à noite e o Tricolor enfrentava os argentinos do Estudiantes em busca de uma vaga na decisão da Copa Libertadores. O acanhado estádio de La Plata estava repleto de torcedores fanáticos e raivosos. Além da tradicional rivalidade futebolística entre os dois países, no ar ainda pairava o ressentimento pelo fato dos gaúchos terem permitido o pouso de jatos ingleses na Base Aérea de Canoas quando a Argentina lutava pela posse das Ilhas Malvinas no ano anterior. A raiva canalizada para os jogadores e dirigentes gremistas criou um clima insuportável de tensão desde a chegada do Tricolor ao estádio até o término da partida. Antes mesmo do início do jogo, o árbitro uruguaio Luis de la Rosa apresentou cartão amarelo para o atacante Trobbiani, um fato inusitado

Empurrado pela torcida mas sem nenhuma obediência tática, o time argentino dominou a partida nos minutos iniciais. Passado os primeiros 15 minutos de pressão, o Grêmio começou a fazer prevalecer seu toque de bola e chegou com perigo em contra-ataques puxados por Tarciso.


Aos 30 minutos, o mesmo Trobbiani que havia levado cartão amarelo antes do início da partida agrediu China com um pontapé revidando uma falta feita pelo volante gremista e foi expulso. Raivosos, os jogadores do Estudiantes partiram para a reclamação. Ponce empurrou o árbitro uruguaio e acabou recebendo cartão vermelho.

Com nove em campo, os argentinos abriram o marcador na cobrança de falta: Gurrieri aproveitou falha na defesa gremista e mandou para as redes.Com mais espaço para jogar, o Tricolor chegou ao empate no último minuto da primeira etapa: Osvaldo concluiu dentro da área um passe de Tarciso


A violência dos argentinos continuou até mesmo no intervalo de jogo. Na saída para os vestiários, em um túnel único para as duas equipes, Caio foi covardemente agredido por jogadores e dirigentes do time da casa. Resultado: não conseguiu retornar para a segunda etapa.
O castigo veio logo aos 8 minutos: Cesar, que havia entrado no lugar de Caio, virou o jogo para o Grêmio depois de grande jogada de Renato

Com a vantagem no marcador, o time tratou de tocar a bola com o único objetivo de fugir das divididas mais fortes onde os argentinos nem faziam questão de esconder o desejo de tirar algum jogador gremista da partida na base da violência

Mesmo assim, aproveitando os espaços, o Tricolor ampliou o marcador com Renato, depois de uma grande jogada
individual. O gesto de Renato que, depois do gol, mandou a torcida calar a boca, foi o que faltava para que os argentinos enlouquecessem de vez. Três minutos depois do gol de Renato, aos 21, o auxiliar Ramón Barreto foi agredido com uma pedrada na cabeça. Estirado no gramado, coberto de sangue, o auxiliar uruguaio teve que ser atendido pelo médico gremista, Dirceu Colla. Na confusão, Camino recebeu cartão vermelho e deixou o gramado. Mesmo destino de Tevez, expulso 4 minutos depois ao agredir Renato

Mesmo com apenas 7 jogadores em campo e se aproveitando da excessiva cautela dos jogadores gremistas que evitavam as divididas o Estudiantes descontou aos 31 minutos com Gurrieri. Logo depois, o até então corajoso árbitro uruguaio Luis de la Rosa, anulou um gol legítimo marcado por César ao atender o aceno de impedimento do bandeirinha Ramón Barreto. Naquelas circunstâncias de jogo, ninguém reclamou.


Só mesmo quem esteve presente nesta inesquecível passagem de história centenária do Grêmio poderia explicar o que se passou lá. Seja como for, a famosa partida de La Plata pela Copa Libertadores de 1983 foi um dos acontecimentos responsáveis pelo surgimento do estilo guerreiro, sanguíneo com que o Grêmio joga futebol e que, de certa forma, está enraizado dentro do espírito de cada gremista."
Texto: Márcio Neves da Silva, Assessoria de Comunicação Social

A Batalha de La Plata
A inesquecível Batalha de La Plata mereceia um capítulo todo especial para contar esta trajetória que levou o Grêmio a seu primeiro título sul-americano.
Fatores muito além do futebol estiveram envolvidos na partida decisiva do dia 8 de julho de 2008 na cidade argentina de La Plata.
O país vizinho vivia a realidade da guerra das Malvinas contra a Inglaterra. A inferioridade diante do exército bretão atingia em cheio uma das mais exacerbadas características do povo argentino: o orgulho.
Em meio a tudo isso, surgiu a notícia de que aviões ingleses haviam recebido auxílio do Brasil possibilitando que pousassem na Base Aérea da cidade de Canoas para reabastecimento. A informação, procedente ou não, revoltou os argentinos justo às vésperas do Grêmio desembarcar no país.
Com pouco tempo de descanso após a vitória da quarta-feira contra o América, a delegação optou por mudar o vôo para a capital portenha: ao invés de descer no aeroporto de Ezeiza, na grande Buenos Aires, o grupo preferiu o vôo com escala em Montevidéu e pouso no Aeroparque, quase no centro da cidade. Por incrível que pareça, o Grêmio ganhou duas horas a mais chegando ao hotel por volta das 20h ao invés das 22h como apontava a programação anterior.
Líder do grupo, o Grêmio desembarcou em La Plata com 4 pontos ganhos contra 2 pontos de América e Estudiantes. A vitória garantia o Tricolor na grande decisão da Libertadores. Um empate, por sua vez, deixaria o Grêmio dependente da última partida da fase entre América e Estudiantes, na Colômbia.
As hostilidades começaram antes mesmo do ônibus que levava a delegação estacionar ao lado do acanhado estádio Jorge Luis Hirschi. Várias pedras atingiram o veículo. Jogadores e dirigentes tiveram dificuldades para entrarem no vestiário.
Já no gramado, a pressão e as hostilidades vinham de todas as partes: cânticos racistas contra brasileiros e torcedores atirando pedras.
Antes do início da partida, o árbitro uruguaio Luis de La Rosa (que substituiu Martinez Basan em cima da hora) apresentou cartão amarelo para o atacante Trobbiani. Uma pequena amostra do que ele viria a enfrentar durante os 90 minutos.
Com a bola rolando, o Estudiantes buscava tirar proveito de todos os fatores locais: com uma agressividade descontrolada, distribuíam patadas nos brasileiros e pressionavam a arbitragem.
Aos 32 minutos, China cometeu falta em Trobbiani e foi chutado pelo argentino. O árbitro apresentou cartão vermelho para o atleta do Estudiantes e amarelo para o gremista. Revoltados com a decisão, os jogadores do time dono da casa passaram a empurrar o árbitro até que Ponce também foi expulso.
Mesmo com dois jogadores a menos em campo, foram os argentinos que abriram o marcador justamente na cobrança da falta que originou toda a confusão. Gugnale aproveitou falha da defesa tricolor e chutou forte na saída de Mazarópi. Eram 38 minutos.
Tocando bem a bola no péssimo gramado, o Grêmio chegou ao empate aos 44: Osvaldo, pela esquerda, chutou cruzado de dentro da área. 1 a 1.
A violência dos jogadores argentinos seguiu até mesmo durante o intervalo da partida. No túnel que levava os jogadores aos dois vestiários, o atacante Caio foi agredido com socos e chutes tendo fratura da tíbia. César voltou para o segundo tempo em seu lugar.
E foi o mesmo César que virou o placar para o Grêmio aos 8 minutos. Grêmio 2 a 1.
Logo após o Estudiantes ter mais um jogador expulso, Renato desceu em velocidade pela direita, driblou dois adversários e chutou na saída do goleiro. Grêmio 3 a 1 aos 18 minutos.
Aos 31 minutos, Gurrieri marcou o segundo gol dos argentinos para delírio da torcida.
Completamente descontrolados, os jogadores se atiraram com tudo para frente acuando os gremistas.
Logo depois, o Grêmio chegou ao quarto gol que foi inexplicavelmente anulado por um impedimento inexistente de Osvaldo.
Faltando apenas quatro minutos para o final, Russo conseguiu o que parecia impossível: o gol do empate.
O resultado trouxe de volta um pouco do orgulho argentino e impossibilitou ao Grêmio a classificação para a final de forma antecipada.
Mais do que a vergonha de ceder o empate contra apenas sete jogadores em campo, para o Grêmio restou o consolo de deixar La Plata com vida.
O Tricolor passou a depender de pelo menos um empate do eliminado América de Cali contra este mesmo Estudiantes para garantir vaga na final.
Fábio Koff tratou de trabalhar nos bastidores. (Site do Grêmio)



Depoimento do Valdir Espinosa sobre o jogo:
" Na Libertadores de 83,um dos jogos mais difíceis foi em La Plata ,jogando contra o Estudiantes. Muito mais do que as dificuldades de campo ,o clima de guerra que envolveu aquela partida ,nos fazia temer por nossas vidas ,receando não sairmos sãos e salvos de lá!
O jogo ,só para lembrar,estava 3x0 para nós e o Estudiantes com apenas 7 jogadores,conseguiu empatar. Mas isto é assunto para outro dia ,pois o que quero é relatar os acontecimentos do intervalo do jogo.
Terminado o primeiro tempo, as 2 equipes foram para os vestiários .Este caminho era tão estreito que obrigava-nos a andar em fila indiana. Do campo até o vestiário ,muitos gritos e xingamentos. Entramos ,fechamos a porta e o nosso segurança encostado nela ,disse:

-"Fiquem tranquilos, que aqui ninguém entra"
Enquanto os jogadores tomavam água, lavavam-se e trocavam o material molhado ,a porta parecia que viria abaixo com pancadas de socos e pontapés. E o nosso segurança, encostado na porta já com os braços abertos, continuava afirmando:
-"Tranqüilos! Aqui ninguém entra"!
Jogadores sentados para ouvirem as instruções do intervalo. Começo ,então,a falar e quando vou corrigir o ataque , pergunto:
-"Cadê o Caio"?
Todo mundo se olha ,observa o vestiário e...nada do Caio! Então ,imediatamente olhamos para o segurança e eu grito:
-"Abre esta porta"!!!
Nosso Super-Homem abre e quem entra? O Caio! Chorando ,com o tornozelo inchado e cheio de hematomas pelo corpo. Ele havia ficado para trás, e durante todo aquele tempo em que batia na porta, estava apanhando dos argentinos! Seu tornozelo estava tão inchado ,que tive que substituí-lo no intervalo.
Como voces podem ver ,nosso segurança realmente não deixou ninguém entrar, nem mesmo o Caio!" (Valdir Espinosa)


Reportagem do Jornal Clarin sobre os 20 anos daquela partida nesse link: http://www.clarin.com/diario/2003/07/10/d-00202.htm
destaque-se as declarações do hoje treinador Miguel Angel Russo sobre aquele jogo:
"Fue el partido que más grabado me quedó en toda mi carrera. Mirá que salí campeón varias veces, pero aquella noche fue incomparable, imborrable" (Russo)
"El Gremio pasó de ronda y ganaron todo, Libertadores e Intercontinental. Yo estoy convencido que si pasábamos nosotros, Estudiantes era otra vez campeón de la Libertadores" (Russo)






Thursday, January 18, 2007

Semifinais - Gremio 2 x 1 América

Triangular Semifinal - 3° jogo - 6 de julho de 1983




"Na vitória de 2 a 1 contra o América, de Cáli, no Olímpico, Baidek saiu de campo a cinco minutos do final com um afundamento de malar. Submetido a uma cirurgia, recebeu a informação dos médicos: estava proibido por 15 dias de sequer tocar numa bola de futebol. Mas o valente zagueiro não se entregou" (Arquivo Gremista)



*Quarta-feira, 06 de julho de 1983
Brilha a estrela do goleiro Mazarópi

O mau tempo desabou sobre Porto Alegre naquela primeira semana de julho. O inverno rigoroso teve influência direta na campanha do Grêmio na Copa Libertadores: após a derrota contra o América, em Cáli, o Tricolor voltava a enfrentar a equipe colombiana no jogo do Olímpico. Primeiramente, um encontro marcado para o dia 05 de julho, uma terça-feira à noite. Nesta data, uma forte chuva desabou sobre a capital gaúcha deixando o gramado do Monumental impraticável. Sem muita opção, a partida acabou sendo transferida para o dia seguinte, às 15h.
Além de ser um dia de semana prejudicando público e renda, o Grêmio passou a se preocupar com o pouco tempo de recuperação para a partida da sexta-feira, contra o Estudiantes, em La Plata: pouco mais de 48 horas.
Com a intensão de pedir o adiamento da partida contra os argentinos, a direção gremista, via Federação Gaúcha e Confederação Brasileira de Futebol, encaminhou um telex para a Sul-Americana, mas o pedido não foi aceito e a partida acabou confirmada para sexta-feira, à noite.
Apesar do horário e do mau tempo, mais de 24 mil pagantes estiveram presente no Olímpico, na tarde de quarta-feira.
Na escalação, Espinosa surpreendeu colocando Tarciso na ponta-esquerda, no lugar de Tonho. O objetivo era “entrar em campo com três atacantes e liberar o líbero e o zagueiro que gruda no centroavante”, afirmou o treinador gremista. A decisão de colocar Tarciso como titular foi tomada após uma reunião secreta antes do treinamento de segunda-feira, com as presenças de De León e Tita. A idéia de Espinosa foi aceita pelo grupo.
O Grêmio começou a partida disposto a decidir logo nos primeiros minutos. Renato estava endiabrado e tratou de colocar os colombianos na roda apesar das péssimas condições do gramado.
Ainda com toda a superioridade e total domínio, a bola teimava em não entrar fazendo do goleiro Falcione o melhor homem em campo.
Aos 23 minutos da primeira etapa, Renato cruzou da direita e Caio entrou de cabeça para abrir o marcador. Grêmio 1 a 0 no primeiro tempo.
Sem muito a perder, os visitantes voltaram para a etapa final dispostos a empatar a partida. E conseguiram logo aos 13 minutos: Bataglia entrou à drible pela esquerda e chutou rasteiro, no canto direito de Mazarópi. 1 a 1.
A alegria colombiana durou pouco: dois minutos depois, após uma cobrança de falta e confusão na área do América, Osvaldo pegou a sobra e chutou fraco. A bola bateu na trave e morreu no fundo das redes. Era o gol da vitória gremista: 2 a 1.
Apesar do susto do gol do empate, a partida transcorria normalmente com o Grêmio pressionando em busca de um placar mais dilatado. Porém, aos 23 minutos da etapa final, uma bola cruzada da esquerda pelo ataque do América foi parar no braço de Baidek. O árbitro chileno, Hernán Silva, apontou penalidade máxima para desespero dos gremistas. Não era pra menos, um empate deixava a equipe tricolor praticamente alijada da possibilidade de chegar à final.
O centroavante Ortiz partiu para a bola e chutou forte, alto, no meio do gol. Mazarópi esticou o braço mandando a bola para escanteio. Uma das mais importantes defesas da história do Grêmio. O goleiro gremista, além de justificar sua contratação e todo o esforço da direção gremista para fazer sua inscrição, garantiu o Tricolor com chances na competição.
Sem tempo para treinar, era hora de embarcar para Argentina buscar a classificação pra final em La Plata, contra o Estudiantes. (Gremio.net)

Luva usada por Mazaropi na partida



" O Grêmio teve exatas 12 chances de gols, mas só aproveitou duas. Poderia ter goleado."
(Placar)


GREMIO: Mazaropi; Paulo Roberto, Baidek (Leandro), De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Tarciso, Renato e Caio.
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Leandro , Róbson, Tonho e Cesar.


AMERICA: Falcioni; Porras, Reyes, Espinosa, Chaparro; Gonzales, Aquino e Alfaro, Bataglia, Ortiz, Teglia.
Técnico: Gabriel Uchoa Uribe


Local: Estádio Olímpico (Porto Alegre)
Juiz: Hermann Silva (Chile), Guillermo Budge e Mario Lira (CHI)

Renda: Cr$ 21.002.100,00
Público: 24.043
Cartão Amarelo: Renato
Gols: Caio 23 do 1º, Bataglia 15 e Osvaldo 16 do 2º.

Semifinais - América de Cali 1 x 0 Gremio

Triangular semifinal - 2ª rodada - 24 de junho de 1983




O dia 24 de junho marcou a primeira e única derrota do Grêmio dentro da Copa Libertadores de 1983.
Depois de vencer o Estudiantes de La Plata, no Olímpico, na abertura da fase semifinal da competição, a equipe viajou para Cáli, na Colômbia, com o objetivo de trazer mais um resultado positivo no embate contra o América.
Apesar da superioridade dentro de campo, a equipe de Espinosa acabou sentindo o desgaste da viagem na etapa final.
O Tricolor teve duas boas chances de marcar nos primeiros 45 minutos, mas Tonho desperdiçou. O goleiro argentino Falcioni passou a ser o grande nome da partida.
Aos 35 minutos, Renato foi derrubado dentro da área quando se preparava para concluir. O árbitro peruano Carlos Montalban consultou o auxiliar e nada marcou.
A decisão revoltou dirigentes e jogadores do Grêmio que deixaram o gramado no intervalo reclamando bastante. O mais exaltado era o vice de futebol, Alberto Galia.
Empurrados pela torcida, os donos da casa voltaram melhor para o segundo tempo.
O Grêmio, por sua vez, sentiu a pressão e acabou cedendo espaço até o gol do América que abriu o marcador: Gonzáles Aquino pegou uma sobra na entrada da área e chutou forte para vencer Mazarópi.
América 1 a 0.
Tentando reverter o placar, Valdir Espinosa colocou Tarciso e César nos lugares de Tonho e Caio, respectivamente.
Infelizmente, as modificações não surtiram efeito e o Grêmio acabou retornando da Colômbia com seu primeiro resultado negativo.
As duas equipes voltariam a se enfrentar no dia 5 de julho, no Olímpico.
Antes disso, Estudiantes e América jogariam em La Plata, no dia 1º.
O resultado não foi desesperador, mas uma vitória sobre o América, em casa, passou a ser fundamental. (Site do Grêmio)

"A partida foi disputada no dia 24 de junho de 83, em Cáli. O América venceu com um gol de Gonzales Aquino, aos 23min do 2º tempo. Mas antes, o tricolor havia desperdiçado diversas chances - e houve até um erro de arbitragem.

- O Tita marcou um gol legítimo, mal anulado. E o erro não foi por pressão porque, ao contrário de La Plata, em Cáli o estádio era grande, e não havia muita influência da torcida - compara China". (ClicRBS)



"Melhor no Início, depois o Grêmio trocou o futebol pelos chutes sem direção e nos adversários
" (Placar)


"Poderíamos ter ganho no primeiro tempo, mas não marcamos" " Eu mesmo perdi um gol frente a frente com o goleiro e Tita também chutou em cima do próprio Falcioni de dentro da pequena área. E não podemos esquecer-nos do pênalti em Renato, calçado na área por Espinosa" (De Leon)

"Poderia ter dito mais: no gol do América, o veterano atacante Ortiz levantou o pé no rosto de Baidek, numa falta vísivel que o juiz não deu. Resultado: o lance acabou nos pés de Gonzalez, que emendou no canto direito de Mazarópi, sem defesa" (Marcelo Rezende-Placar)



AMERICA
: Falcioni; Chaparro, Reyes, Espinosa e Porras;
Caicedo,Gonzales, Alfarro (Sierra 23 do 2º), De Ávila (Lugo aos 20 do 2º) Ortiz e Teglia
Técnico: Ochoa Uribe

GREMIO: Mazaropi; Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro; China (César 41 do 2º), Osvaldo e Tita; Renato, Caio e Tonho (Tarciso 34 do 2º)
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Leandro José, Róbson, Tarciso e Cesar


Local: Estádio Pascual Guerrero em Cáli-Colômbia
Juiz: Carlos Montalbán (Peru), Edson Peres e Enrique Labo

Cartão Amarelo: Baidek, Renato e Falcioni
Gol: González 24 do 2º

Semifinais - Gremio 2 x 1 Estudiantes

Triangular semifinal - 1ª rodada - 21 de junho de 1983




Vitória fundamental na abertura das semifinais
Com 11 pontos conquistados na fase classificatória, o Grêmio chegou à etapa de semifinal com o melhor retrospecto dentre os três participantes do Grupo A.
Invicto até então, o Tricolor fez seis jogos com cinco vitórias e um empate.
Como adversários, o campeão argentino do Estudiantes de La Plata e os colombianos do América de Cali.
Os argentinos sofreram duas derrotas na primeira fase e ainda assim conseguiram a classificação no último jogo contra o Ferro Carril.
A campanha do América já foi melhor: terminou o Grupo 3 invicto, com quatro vitórias e dois empates.
O calendário apresentou o Grêmio fazendo sua estréia na semifinal contra o Estudiantes, em Porto Alegre.

Após o afastamento de Remi do time titular, a direção gremista tratou de buscar uma alternativa para o gol. Fábio Koff anunciou a contratação do experiente Mazarópi, campeão carioca de 1982 pelo Vasco da Gama.
Restava ao Clube utilizar sua influência política para conseguir a inscrição do atleta junto à Sul-Americana. Naquela época, a inscrição de um novo jogador só era permitida em caso de lesão de um jogador previamente listado.
Aproveitando-se da reunião da entidade na cidade de Lima, no Peru, quando foram decididos os grupos e os jogos da fase semifinal, o presidente Fábio Koff acabou fazendo prevalecer seu pedido e Mazarópi foi inscrito com a camisa número 24 no lugar de Odair, lesionado.
No dia 16 de junho de 1983, Mazarópi entrava em campo no Estádio Olímpico para fazer sua estréia com a camisa do Grêmio.
Era a abertura do Gauchão 83 contra o Inter de Santa Maria: vitória gremista por 2 a 0.
Cinco dias depois, numa noite fria de terça-feira, o Tricolor voltava ao Olímpico para abrir a fase semifinal da Copa Libertadores contra o Estudiantes.

Pouco mais de 24 mil torcedores estiveram presentes no Monumental para empurrar o time à vitória sobre os campeões argentinos.
Apesar da superioridade gremista durante toda a partida, a vitória foi conquistada de forma dramática, no finalzinho.
Osvaldo abriu o marcador logo aos cinco minutos de partida: ele recebeu de Caio e arriscou da intermediária. A bola encobriu o goleiro Bartero e entrou no ângulo direito.
O início fulminante terminou por aí.
O Estudiantes abandonou seu esquema defensivo e partiu pra cima do Grêmio.
Aos sete minutos, Mazarópi fez grande defesa em cobrança de falta e, quatro minutos depois, Gurrieri marcou o gol de empate. 1 a 1.
Passado o susto, o time de Espinosa voltou a dominar as ações. O poder ofensivo da equipe na primeira etapa transformou o goleiro Bartero no principal nome da partida.
O ritmo diminuiu no segundo tempo, mas ainda assim o Grêmio seguiu dominando.
Aos 12 minutos, Espinosa surpreendeu tirando Renato e colocando Tarciso. A substituição dividiu a torcida. Ainda que não estivesse bem, Renato era a principal opção ofensiva da equipe.
Apesar da polêmica, Tarciso foi figura decisiva na vitória gremista.
Foi dele o segundo gol já no final do jogo.
Caio driblou dois marcadores e cruzou forte. Tarciso entrou feito um foguete e mandou a bola para o fundo das redes. Grêmio 2 a 1!
Festa e alívio da torcida gremista.
Uma vitória na abertura da semifinal era fundamental.
Agora o próximo adversário seria o América, em Cáli. (Site do Grêmio)



"Sangue Frio e autocontrole que o Grêmio mostrou no jogo contra o Estudiantes, em Porto Alegre, quando dominou o jogo, impôs se toque de bola e liquidou a forte equipe argentina, com gols de Osvaldo e Tarciso, este completando excelente jogada do centroavante Caio pela esquerda, para alegria dos 25544 torcedores que pagaram para ver o tricolor" (Marcelo Rezende - Placar)


GREMIO: Mazaropi; Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato (Tarciso), Caio e Tonho.
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Newmar, Robson, Tarciso e Cesar


ESTUDIANTES: Bertero; Camino, Brown, Aguero, Gungali, Russo, Ponce, Sabela, Trama, Trobiani, Gurrieri.

Técnico: Eduardo Manera

Local: Estádio Olímpico
Juiz: Juan Silvano (Chile), Gaston Castro e Sergio Vasquez

Renda: Cr$ 17.106.500,00
Público: 24.544
Gols: Osvaldo aos 4 e Gerieri aoos 11 do 1ºtempo; Tarciso aos 40 do 2ºtempo


Fase Semifinal - Triangulares

Grupo 1
- Peñarol (Montevideo)
- Nacional (Montevideo)
- Atlético (San Cristobal)

Grupo 2
- Grêmio (Porto Alegre)
- Estudiantes (La Plata)
- América (Cali)

Classificação Final - Grupo 2

-1° Grêmio - 5v 1e 0d 13gp 04gc - 11 pontos
-2° Flamengo - 2v 2e 0d 15gp 10gc - 6 pontos
-3° Bolívar - 2v 0e 4d 13gp 14gc - 4 pontos
-4° Blooming - 1v 1e 4d 04gp 17gc - 3 pontos

1ª Fase - Flamengo 1 x 3 Grêmio

Fase de grupos - 6ª rodada - 3 de junho de 1983



*Domingo, 05 de junho de 1983
Fechando com chave de ouro
Foi com uma grande vitória sobre o Flamengo, no Maracanã, que o Grêmio terminou sua participação na primeira fase da Copa Libertadores de 1983.
Já classificado por antecipação para a fase semifinal, o Tricolor chegou ao Rio de Janeiro apenas para cumprir tabela. Um jogo domingo à tarde, algo incomum em matéria de Libertadores. O adversário, completamente desmotivado, ainda não contava com as presenças de Zico, Júnior, Leandro e Mozer. E a torcida, sempre fator importante de desequilíbrio no maior estádio do mundo, não compareceu. Pouco mais de 6 mil pagantes, boa parte formada por gremistas. O interesse da imprensa era apenas voltado para o meia Tita, já que o Flamengo acertava a venda de Zico para o Udinese e o retorno de Tita à Gávea era dado como certo após o término do contrato com o Grêmio, dia 21 de dezembro. O técnico Valdir Espinosa decidiu manter Paulo Roberto e Baidek no setor defensivo. No gol, Beto seguiu como titular enquanto, fora de campo, o presidente Fábio Koff estruturava a inscrição do goleiro Mazaropi para a fase final da competição: concessão feita pela Conmebol apenas em caso de lesão. Remi estava mesmo descartado. Não demorou muito para o Grêmio abrir o marcador e fazer prevalecer sua superioridade: aos oito minutos, Tita recebeu na entrada da área e mandou por cobertura fazendo um golaço! O Grêmio tratou a partida com seriedade e, antes dos 30 minutos, o placar do Maracanã já apontava a vitória gremista por 3 a 0: Caio marcou o segundo aos 15 e Osvaldo ampliou aos 26. Uma verdadeira aula de futebol nos primeiros 45 minutos. O Flamengo retornou para a etapa final com duas modificações e com o objetivo de evitar uma goleada histórica. Já o Grêmio, por sua vez, diminuiu o ritmo e tratou de administrar a ampla vantagem. Tarciso entrou no lugar de Renato e criou duas boas chances pela direita. O Grêmio só não aumentou porque Cesar perdeu dois gols feitos. O Flamengo ainda descontou com Elder e a partida terminou no 3 a 1. Festa da torcida gremista no Maracanã e vaia dos poucos flamenguistas. Agora todas as atenções estavam voltadas para a cidade de Lima, no Peru, onde a Confederação Sul-Americana iria sortear os dois grupos semifinais que dariam seqüência à competição. (Gremio.net)



FLAMENGO: Raul, Cocada, Figueiredo, Marinho, Ademar,Vitor(Andrade), Elder, Adilio, Robertinho, Baltazar(Felipe) e Júlio Cesar.
Técnico: Carlos Alberto Torres

GREMIO: Beto; Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato (Tarciso), Caio e Tonho (Robson).
Técnico: Valdir Espinosa
Reseravas: Remi, Newmar, Robson, Tarciso e Cesar.


Local: Maracanã, RJ
ARBITRAGEM: José Assis Aragão, Romualdo Arpi Filho e Emidio Marques Mesquita
PÚBLICO:6.415 pagantes
RENDA
:CR$ 4.141.200,00
Gols: Tita (08 do 1ºT) Caio ( 15 do 1ºT) Osvaldo (26 do 1ºT) Elder (FLA - 25 do 2ºT)

1ª Fase - Grêmio 3 x 1 Bolivar

Fase de grupos - 5ª rodada - 31 de maio de 1983




GREMIO:
Beto; Paulo Roberto, Baidek, De León e Paulo César (Newmar); China, Osvaldo (Robson) e Tita;
Renato, Caio e Tonho.
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas
: Remi, Newmar, Robson, Tarciso e Cesar

BOLIVAR: Elso, Gallo, Merlo, Urizar e Arias, Navarro, Céspede, Romero, Borja, Silva, Figueroa (Baldessari)
Técnico: Abdul Aramayo

Local: Olímpico, Poa
Público: 18.929 pagantes
Renda: CR$ 12.538.300,00
Arbitragem: Cláudio Brusca (ARG) ,Artur Iturralde e Jorge Romero (ARG)
Gols: Tita 3 do 1º, Tonho 9 do 1º, Silva (Bol) 12 do 1º e Tita aos 23 do 2º tempo


"Renato e Tita demoliram o cansado e velho Bolívar. O resto do time foi apenas razoável" (Placar)



*Terça-feira, 31 de maio de 1983
Classificação antecipada

Mais de um mês se passou até o Grêmio enfrentar, em Porto Alegre, a segunda equipe boliviana: o Bolivar.
Neste meio tempo, muita coisa mudou pelos lados do Olímpico.
E mudou para pior.
A derrota de 3 a 1 para a inexpressiva Ferroviária de Araraquara e a conseqüente desclassificação no campeonato brasileiro em pleno estádio Olímpico, deixou fervilhando o panorama político do Clube e colocou em dúvida a qualidade da equipe perante o torcedor.
A oposição passou a bater forte na diretoria atual criticando o comando do presidente Fábio Koff e postulando mudanças drásticas na eleição para o Conselho Deliberativo que ocorreria em setembro.
Já não bastasse tudo isto, a equipe comandada por Espinosa acabou perdendo um amistoso para o Vasco da Gama, no Olímpico, faltando 12 dias para o jogo contra o Bolívar.
Foi neste ambiente de desconfiança e insatisfação que o Grêmio entrou em campo na fria noite de terça-feira para enfrentar o campeão boliviano, o qual já havia vencido na altitude de La Paz.
Pressionado, Espinosa sacou do time o goleiro Remi, considerados o principal culpado pela eliminação no Brasileirão, colocando Beto, reserva imediato.
Na zaga, Baidek recebia sua primeira chance.
Na lateral-esquerda, Paulo César Magalhães entrava no lugar de Casemiro.
Finalizando as modificações, Paulo Roberto entrava no lugar de Silmar na lateral-direita.
Todos os fatores negativos contrastavam com a situação da equipe na tabela da Libertadores. Uma vitória simples sobre o adversário classificava o time de forma antecipada para a semifinal da competição sem depender da última partida, contra o Flamengo, no Maracanã.
E foi com esse objetivo que o Tricolor começou a partida.
Logo aos três minutos, Tita concluiu de cabeça cruzamento de De León abrindo o marcador.
Seis minutos depois, Tita cobrou falta da entrada da área, o goleiro espalmou para o lado. Caio evitou o escanteio e cruzou de bicicleta. Tonho meteu a cabeça e ampliou o marcador fazendo seu primeiro gol na competição.
O time relaxou com a vantagem prematura e o Bolívar descontou aos 12 minutos. Silva entrou livre pela área e encobriu o goleiro Beto no exato momento em que De León era atendido fora de campo. 2 a 1.
Ainda assim, o Bolívar não chegou a ser uma ameaça.
O Grêmio foi amplamente superior e chegou ao terceiro gol aos 23 minutos da etapa final: Renato cruzou da direita no segundo pau. Osvaldo tentou encobrir o goleiro, mas foi Tita que pegou o rebote para marcar.
Grêmio 3 a 1 e classificado para a semifinal da Libertadores pela primeira vez na história. (Gremio.net)







1ª Fase - Grêmio 2 x 0 Blooming

Fase de grupos - 4ª rodada - 26 de abril 1983



*Terça-feira, 26 de abril de 1983
Vitória tranqüila e liderança isolada

Depois de vencer os dois adversários bolivianos fora de casa, era unânime a expectativa de mais dois resultados positivos nos jogos em Porto Alegre. E sem maiores dificuldades.
Confirmando tais previsões, o Tricolor garantiria a classificação de forma antecipada para a fase semifinal sem ficar na dependência da última partida contra o Flamengo, no Maracanã. O Flamengo que, aliás, não obteve bons resultados nos dois jogos em território boliviano: um empate sem gols contra o Blooming e uma derrota de 3 a 1 contra o Bolívar na altitude de La Paz.

O primeiro adversário foi o Blooming, da cidade de Santa Cruz de La Sierra, vice-campeão do país, terça-feira à noite.
Já sem maiores perspectivas dentro da competição, a equipe boliviana tratou de aproveitar a vinda a Porto Alegre para fazer turismo. Quatro dias antes de enfrentar o Tricolor, a equipe já havia mostrado sua fragilidade ao ser derrotada pelo Flamengo, no Maracanã, pelo placar de 7 a 1.
Pensando na partida decisiva do sábado contra a Ferroviária, pela Taça Brasil, o técnico Valdir Espinosa tratou as duas partidas contra os bolivianos como um treino de luxo.
De modificação na equipe, Newmar entrou na zaga no lugar de Leandro.
Infinitamente superior ao adversário, o Grêmio demorou 22 minutos para abrir o marcador: Silmar recebeu de Renato na direita, fundo de campo. O cruzamento encontrou Tita, no segundo pau, que cabeceou no travessão. No rebote, Caio mandou para as redes.
O segundo gol nasceu aos 37 minutos: Osvaldo tabelou com Renato, invadiu a área pela esquerda e deu um leve toque, na saída do goleiro Terrazas.
Grêmio 2 a 0.
Para insatisfação da torcida, a goleada esperada acabou não acontecendo e o placar de 2 a 0 obtido no primeiro tempo acabou sendo o placar definitivo da partida.
Para os jogadores, o que mais importou foram os dois pontos e a manutenção da liderança isolada do Grupo 2. (Gremio.net)

"O Grêmio só teve problemaas até o primeiro gol. Depois do segundo, perdeu vários" (Divino Fonseca - Placar)


GRÊMIO: Remi; Silmar, Newmar, De León e Casemiro; China, Osvaldo (Bonamigo) e Tita; Renato, Caio e Tonho (Tarciso)
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Paulo Roberto, Jorge Leandro, Bonamigo e Tarciso.


BLOOMING: Terrazas; Herrera, Gallardo, Villalon e Vaca; Melgar, Castillos e Noro (Taborga); Reveliz, Sanchez e Rojas.
Técnico: Raul Pinto

Local:
Estádio Olímpico
Público: 17.072 pagantes
Renda: CR$ 10.980.400,00
Juiz: Jorge Orelana (Equador)
Gols: Caio aos 22 e Osvaldo aos 37 do 1º

Wednesday, January 17, 2007

1ª Fase - Bolivar 1 x 2 Grêmio

Fase de Grupos - 3ª rodada - 25 de março de 1983




BOLIVAR:
Elso; Vargas, Navarro, Urizar e Arias (Figueroa); Ângulo, Gallo e Romero; Borja, Salinas e Silva (Baldessari)

GREMIO: Remi; Silmar, Leandro, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, César (Tarciso) e Tonho(Bonamigo).
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Baidek, Bonamigo, Tarciso e Lambari.


Local:
Hernando Siles em La Paz- Bolivia
Juiz: Ernesto Filippi (Uruguai) Ramón Barreto e Jose Luis Bazan

Gols: Navarro (BOL – 35 do 1ºT) Osvaldo (21 do 2ºT) China (37 do 2ºT)

*Sexta-feira, 25 de março de 1983
Vitória heróica com gol espetacular

O vôo de Santa Cruz de La Sierra para La Paz foi rápido e a delegação gremista desembarcou por volta das 10h.
Ainda no aeroporto, os sintomas da altitude já se fizeram presentes: o vice-presidente de Futebol, Alberto Galia, sentiu fortes tonturas e teve que ser atendido no local.
A delegação seguiu imediatamente para o hotel.
Seguindo determinação do médico Alarico Endres, os jogadores permaneceram descansando nos quartos para evitar desgastes desnecessários.
Dentro do processo de preparação para este confronto, o Grêmio não deixou de fora nenhum detalhe. Até mesmo a alimentação ingerida pelos atletas passou por uma minuciosa análise feita por uma equipe de nutricionistas. Foi privilegiada uma alimentação baseada em carboidratos e suplementos de fácil absorção com destaque para os doces.
Após o almoço, os jogadores seguiram descansando até o horário da palestra do técnico Valdir Espinosa.
Uma palestra, aliás, que merece uma atenção especial: estando todos os jogadores, dirigentes e comissão técnica reunidos em uma ala do hotel, Valdir Espinosa pediu a palavra. Caminhou pela sala e, olhando para os jogadores soltou: “chocolate neles”.
Foi a palestra mais rápida da história do Grêmio.
Na verdade, era a senha para que os jogadores colocassem em prática tudo aquilo que já havia sido trabalhando tanto dentro de campo quanto mentalmente.
- Naquele momento, precisava diminuir ao máximo a adrenalina dos jogadores, pois o efeito, na altitude, é prejudicial. Já havíamos conversado bastante sobre o que fazer, não precisava dizer mais nada naquela hora. Explicou Espinosa.
Quem não gostou nada da palestra do treinador gremista foi o presidente Fábio Koff.
- Ele ficou indignado. Queria a demissão do Espinosa. Sorte que conseguimos a vitória. Lembrou Antônio Carlos Verardi, Supervisor do Clube.
Mas não foi uma vitória fácil.

Empurrado pela torcida e num ritmo frenético, o Bolívar partiu pra cima do Grêmio.
Acuado, o Tricolor tratou de se segurar como podia. Remi foi se transformando no grande nome do jogo com pelo menos duas defesas à queima roupa com os atacantes bolivianos.
O Grêmio respondeu em duas oportunidades com Tita. Numa delas, em bola parada, o meia gremista levou perigo.
Depois de tanto pressionar, o Bolívar abriu o marcador aos 35 minutos. Gallo chutou forte, rasteiro, da entrada da área. Remi calculou mal a defesa e deixou a bola escapar de seus braços. No rebote, o zagueiro Navarro empurrou para o gol aberto.
Atrás no marcador e tendo que enfrentar a altitude de quase 4 mil metros de La Paz, o Grêmio chegou a perder a cabeça em algumas oportunidades. China cometeu uma falta feia e levou apenas cartão amarelo.
O apito do árbitro determinando o intervalo veio na hora certa.
No vestiário, mais uma vez Espinosa foi sucinto na conversa com os jogadores:
- Eu pedi para que eles fizessem como se estivessem em uma roda de “bobinho”, colocando o adversário na roda e partindo pra cima quando tivessem a oportunidade. Lembrou o treinador gremista.
O Bolívar voltou para o segundo tempo disposto a matar o jogo. Aos oito minutos, depois de um escanteio, Vargas acertou o poste direito de Remi.
Escapou o Grêmio.
Coincidência ou não, o Grêmio chegou ao empate um minuto depois da entrada de Tarciso. Ele ingressou na partida aos 20 minutos, no lugar de César, e o Grêmio marcou aos 21: Casemiro recebeu na esquerda e cruzou com perfeição. Osvaldo entrou de cabeça e venceu o goleiro. 1 a 1!
O gol chegou na hora certa. O time cresceu em campo e o Bolívar se encolheu sentindo a força do Tricolor.
O toque de bola pedido por Espinosa surtiu efeito e o Grêmio passou a dominar a partida.
A altitude, até então o maior fantasma, parecia não existir mais e o Tricolor passou a sobrar em campo na parte física.
Espinosa colocou Bonamigo no lugar de Tonho fazendo com que Tita pudesse se movimentar mais comandando o jogo no meio campo.
Sentindo que poderiam obter um resultado melhor que o empate, os jogadores partiram pra cima.
No minuto 37, surgiu o gol da vitória gremista. Um gol espetacular.
Depois de envolver o adversário no toque de bola, Tita virou o jogo para China, poucos metros à frente da linha do meio campo. China dominou e mandou a bomba. Um chute inacreditável. A bola viajou por aproximadamente 50 metros até encobrir o goleiro Elso. Grêmio 2 a 1!
Três minutos depois, Tarciso ainda perdeu a chance de ampliar.
No final, grande vitória gremista reconhecida como uma das mais difíceis da competição.
Um dia histórica para o Grêmio e para China que, segundo ele, marcou o gol mais bonito de sua vida.

*Quinta-feira, 24 de março de 1983
O fantasma da altitude

Nenhum aspecto extra campo ficou de fora dos preparativos do Grêmio para a partida contra o Bolívar, na altitude de La Paz. A diretoria, auxiliada pelo departamento médico e a equipe de preparação física, pensou em todos os detalhes, desde uma alimentação especial organizada por nutricionistas até a viagem para La Paz no mesmo dia do jogo.
O técnico Valdir Espinosa, preocupado com o efeito psicológico que o fantasma da altitude poderia provocar sobre o grupo de atletas, procurou amenizar e tranqüilizar cada um dos jogadores. Uma conversa franca deixou o grupo ciente de que enfrentar a altitude de La Paz não seria um bicho de sete cabeças.
Evitando o desgaste, a equipe realizou um trabalho leve na manhã de quinta-feira no gramado do estádio Tauichi Aguilera, onde o Tricolor vencera o Blooming na terça-feira passada, comandado pelo preparador Ithon Fritzen.
A viagem para La Paz ficou marcada para a manhã de sexta-feira, dia do confronto contra o Bolívar.



*Quarta-feira, 23 de março de 1983
Equipe embalada para jogar em La Paz.

A vitória sobre o Blooming por 2 a 0 cobriu de entusiasmo e confiança o plantel gremista. O resultado deixou o Tricolor na liderança do Grupo 2 com três pontos ganhos e um novo resultado positivo no jogo seguinte, contra o Bolívar, encaminharia a classificação para a fase semifinal da melhor maneira possível já que a equipe gremista iria enfrentar os bolivianos no Olímpico, nos jogos de volta.
Dentro de um projeto visando minimizar os efeitos da altitude, em La Paz, a delegação seguiu hospedada em Santa Cruz de La Sierra com partida marcada para La Paz apenas no dia do jogo.
No dia seguinte à vitória sobre o Blooming, os jogadores que atuaram os 90 minutos receberam folga. O resto do grupo realizou um treinamento leve sob o comando do preparador Ithon Fritzen.
Em todos os momentos com o grupo, Valdir Espinosa tratou de preparar a cabeça do jogador para que o assunto “altitude” não viesse a influenciar o psicológico de cada um.A tática não poderia ter sido melhor. (Gremio.net)



Sobre esse jogo é interessante o relato do Valdir Espinosa:

"Preleção de um minuto.

O jogo da Seleção Brasileira neste final de semana em La Paz traz a tona, novamente, o problema de jogar nos 3.600 metros de altitude em La Paz e me recorda quando estive lá pela primeira vez, com o Grêmio, para enfrentar o Bolívar pela Copa Libertadores da América em 1983.

Primeira fase da competição sulamericana. Grupos de 4 equipes. Classificava-se apenas uma e no nosso grupo tínhamos que enfrentar Bolívar, Blooming e Flamengo. Os problemas acarretados pela altitude eram maiores, o conhecimento destes efeitos ainda não eram tão estudados e a preparação física estava iniciando a era científica. Na semana do jogo em La Paz todos estavam assustados em Porto Alegre com o fantasma da altitude, imprensa, torcida, direção, jogadores e comissão técnica.

A preparação foi toda diferente, mudança na alimentação, nos horários dos treinamentos, tudo para atenuar os efeitos da altitude. Até aquela oportunidade, me parece, que nenhuma equipe estrangeira havia conquistado duas vitórias na Bolívia, pois enfrentava-se as duas equipes do outro país na mesma semana na casa deles e depois eles vinham ao Brasil. Jogamos em Santa Cruz de la Sierra e vencemos o Blooming, viajamos para La Paz no dia do jogo, chegamos ao meio-dia para jogar a noite. Sabia que não poderíamos enfrentar o Bolívar tentando impor velocidade.

Iniciei a preleção as 18:00 horas. Pela primeira vez naquela temporada estavam presentes o supervisor do Grêmio, Verardi, e o presidente Fábio Koff. Comecei falando que aquele jogo deveria ser organizado como uma rodinha de bobo, aonde estivesse a bola deveriam estar quatro jogadores nossos, quando chegasse um deles trocassem o local da roda. Não deveríamos ter a preocupação de atacar e sim de ter a bola. Desejei sorte para todos. Encerrei a preleção.

O presidente, assustado, falou para o Verardi:"No final do jogo pode mandar esse treinador embora. Em um dos jogos mais importantes da história do Grêmio ele dá uma preleção de um minuto só."

Primeiro tempo, só posse de bola e a rodinha de bobo. No intervalo eu disse : 'Agora vamos movimentar a rodinha em direção ao gol deles, vamos atacar.' Perdíamos por 1 a 0 e viramos o jogo com gols de Osvaldo e China. Final Bolívar 1 x 2 Grêmio. Terminamos o jogo ainda mais descansados do que a equipe do Bolívar.

Após isso tudo o Dr. Fábio Koff entendeu que era um jogo em que tínhamos que entrar em campo tranquilos, sem muita adrenalina, por isso não seria correto fazer uma preleção com altas doses de motivação.

O resultado da história voces sabem... Continue empregado e fomos Campeões da Copa Libertadores da América." (Valdir Espinosa)



1ª Fase - Blooming 0 x 2 Grêmio

Fase de Grupos - 2ª rodada - 22 de março de 2006




*Terça-feira, 22 de março de 1983
Vitória importante em Santa Cruz de La Sierra.

Apesar do forte calor e do clima abafado, Grêmio entrou em campo no estádio Ramón “Tahuichi” Aguilera encontrando um ambiente surpreendentemente favorável para enfrentar o Blooming. Depois da derrota para o Bolívar na estréia, o torcedor compareceu desanimado para o enfrentamento contra o Tricolor. Aquele clima de pressão característico dos jogos pela Libertadores realizados na Argentina, Uruguai e Chile praticamente não existiu.
Para o Grêmio, bastava colocar a bola no chão e enfrentar o Blooming sem se preocupar com os fatores externos.
Já nos primeiros minutos de jogo, ficou evidente a superioridade gremista.
Lambari apresentava dificuldades para vencer o lateral e o time passou a forçar as jogadas pela direita.
Renato tratou de infernizar a defesa boliviana, porém exagerando um pouco na individualidade.
No meio, César e Osvaldo se movimentavam bastante aparecendo com força no ataque.
O time criou bastante nos primeiros 45 minutos e teve a oportunidade de abrir o marcador em pelo menos quatro lances. No melhor deles, Tita cobrou uma falta no poste direito do goleiro Terrazas. No rebote, Lambari perdeu.
Certamente, no intervalo, o técnico Valdir Espinosa pediu um pouco mais de empenho aos jogadores e mais tranqüilidade na hora de concluir.
A segunda etapa começou com um susto: logo no primeiro minuto, o ponta Reveliz chutou, a bola desviou em Silmar, tirou Remi da jogada e bateu no travessão.
Não demorou muito para o time responder: Renato recebeu de Tita na frente do goleiro, driblou e chutou para o gol aberto. O zagueiro Gallardo salvou sobre a linha mandando para escanteio.
Na cobrança do escanteio da esquerda de Lambari, Tita marcou de cabeça se antecipando à zaga, no primeiro pau.
Grêmio 1 a 0.
Dois minutos depois, a qualidade técnica de Renato surtiu efeito sobre o marcador. Bola levantada da esqueda no segundo pau. César ajeitou de cabeça. Renato dominou, deu um drible desconcertante no zagueiro e chutou na saída do goleiro.
Com 2 a 0 no marcador e sobrando em campo, a equipe diminuiu o ritmo tratando de tocar a bola. Provavelmente já pensando no desgaste que iriam enfrentar na altitude de La Paz na sexta-feira, dia 25.
Ainda que não tenha melhorado o saldo de gol, o Grêmio comemorou o primeiro lugar no Grupo.


*Segunda-feira, 21 de março de 1983.
Operação Bolívia.

Sem muitas informações sobre os dois adversários bolivianos do Grupo 2 da Libertadores, o Grêmio desembarcou em Santa Cruz de la Sierra com a obrigação de conquistar resultados positivos em território inimigo.
A principal preocupação ficava por conta do Bolívar, campeão do país e adversário da sexta-feira. Na semana anterior, o time de La Paz havia feito sua estréia jogando em casa e aplicando uma goleada de 6 a 0 sobre o Blooming.
O resultado deixou a equipe na liderança do Grupo por pontos e ainda com um excelente saldo de gols.
Porém, antes do combate contra o Bolivar, o objetivo era não perder o foco do Blooming. Apesar da fragilidade, era um adversário desconhecido e jogaria com o apoio de sua torcida e com a obrigação de vencer após a derrota na estréia.
O ponta-esquerda Tonho, lesionado, era a principal dúvida de Valdir Espinosa no ataque. Lambari era a opção.
Renato, completamente recuperado de uma lesão muscular, havia ganho a posição de Tarciso na direita após os últimos jogos pela Taça Brasil.
No meio, Osvaldo voltava ao time após ficar de fora na estréia.
O lateral-direito Paulo Roberto nem viajou para a Bolívia. Ficou em Porto Alegre negociando sua transferência para o São Paulo. Silmar ocuparia sua vaga. (Gremio.net)



BLOOMING: Terrazas; Herrera, Gallardo (Noro) Villalon e Vaca. Melgar, Castillos (Paniagua) e Taborga; Reveliz, Sanchez e Rojas.
Técnico: Raul Pino

GREMIO: Remi; Silmar, Leandro, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, César e Lambari.
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Baidek, Bonamigo, Robson e Tarciso.


Local:
Ramon Tauhichi Aguilera em Sta. Cruz de La Sierra - Bolivia
Juiz: Ramon Barreto (Uruguai) Jose Martinbez e Ernesto Filippi
Gols: Tita 7 do 2º e Renato aos 9 do 2º tempo

1ª Fase - Grêmio 1 x 1 Flamengo

Fase de Grupos - 1ª rodada - 4 de março de 1983



Quinta-feira, três de março de 1983:
Os preparativos:


Uma boa estréia na competição era de vital importância para as pretensões gremistas de encaminhar a classificação no Grupo 2, que contava ainda com as participações dos bolivianos do Blooming e do Bolívar. Ao contrário do que ocorre hoje em dia, apenas o campeão do grupo é que garantia classificação.
O jogo aumentava de importância já que os dois próximos seriam realizados fora de casa, na Bolívia.
Desde cedo, as duas diretorias trabalhavam forte nos bastidores.
O presidente do Flamengo, Antônio Augusto Abranches, passou a criticar publicamente a escalação do árbitro Arnaldo César Coelho para comandar a partida no Olímpico. Do outro lado, Fábio Koff definiu a manobra do dirigente carioca como “uma clara tentativa de pressionar a arbitragem”. Nenhuma novidade, já que o mesmo cartola havia utilizado o mesmo artifício quando da decisão do Campeonato Brasileiro do ano anterior.
Dentro de campo, mistério de ambas as partes: pelo Grêmio, o técnico Espinosa treinou uma equipe, mas surpreendeu na hora do jogo. A derrota no final de semana para o
Atlético Paranaense em pleno estádio Olímpico, e com a equipe titular, deixou uma pulga atrás da orelha do comandante gremista fazendo com que o time fosse modificado em cima da hora. Pelo Flamengo, o treinador Paulo César Carpeggiani aguardava um parecer do Departamento Médico sobre a situação do lateral-esquerdo Júnior, que sentia dores.
Apesar do resultado negativo de domingo pela Taça de Ouro contra os paranaenses e a marcação do jogo para uma sexta-feira à noite, a mobilização da torcida era grande. Principalmente pela possibilidade de uma revanche contra os rubro-negros.

Era certeza de casa cheia. (Gremio.net)



*Sexta-feira, quatro de março de 1983.
A estréia em um jogo emocionante:

Mais de 43 mil pagantes lotaram o estádio Olímpico para a estréia do Tricolor na Copa Libertadores de 1983.
Além de ser a abertura do Grupo 2, e contra um adversário que estava entalado na garganta, a partida estava recheada de atrativos para o torcedor. Pela primeira vez, Tita atuava contra o time que o revelou para o futebol. Do outro lado, o artilheiro Baltazar, autor do gol do título Brasileir
o de 1981, também atuava contra seu ex-clube.
A TV Gaúcha transmitiu ao vivo para todo o País na narração de Galvão Bueno.
A vitória não veio, mas quem esteve presente viu um dos melhores jogos dos últimos tempos.
Empurrado pela torcida, o Grêmio partiu pra cima do Flamengo em busca da vitória.
Valdir Espinosa surpreendeu com uma modificação tática. Colocou Bonamigo no lugar de Osvaldo para aumentar o poder de marcação principalmente sobre Zico e Adílio.
O Flamengo acabou ficando sem Júnior, lesionado. Ademar entrou na lateral-esquerda.
Tudo transcorria dentro da normalidade e o Grêmio dominava os primeiros 15 minutos. Aos 16, o zagueiro Hugo de León tentou sair jogando pela direita, ao lado da área. Zico deu o combate e conseguiu roubar a bola do capitão gremista fazendo o cruzamento. O artilheiro Baltazar, ex-Grêmio, dominou com o pé direito, deu um chapéu no marcador que era Leandro e, também de pé direito, com um leve toque, mandou a bola no ângulo esquerdo da meta do goleiro Remi que nem se mexeu.
Foi um golaço.
Inconformado com a falha no lance, De León abandonou qualquer obediência tática e se atirou ao ataque para se redimir.
Aos 24, Tita tabelou com Bonamigo e chutou no poste.
O Tricolor ainda teve três boas oportunidades, mas o goleiro Raul estava em noite inspirada.
Faltando três minutos para o final da primeira etapa, Remi saiu errado da meta e Adílio concluiu de cabeça. O zagueiro Leandro salvou sobre a linha evitando o segun
do gol carioca.
O segundo tempo começou com o Flamengo melhor. Com a vantagem no marcador, Zico comandou o toque de bola no meio campo.

Aos sete minutos, Espinosa colocou o ponteiro Lambari no lugar de Tonho querendo aproveitar a velocidade do atacante. Porém, o time só melhorou mesmo quando, aos 17 minutos, Renato entrou no lugar de Tarciso. Recém promovido das categorias de base, o jovem ponteiro vi
ndo de Bento Gonçalves queria mostrar serviço.
Em sua primeira jogada, acertou o poste do goleiro Raul.
A pressão ficou insustentável.
Aos 24, Bonamigo foi derrubado na área, mas Arnaldo César Coelho nada marcou para desespero do vice-presidente de Futebol, Alberto Galia.
O Flamengo recuou.
Edson entrou no lugar de Robertinho
para ajudar na marcação e Lico ficou isolado. Baltazar passou a ser o único atacante mais avançado.
Aos 35 minutos, o esforço comovente de Hugo de León para se recuperar do erro da primeira etapa foi premiado. Após escanteio da esquerda, a zaga do Flamengo afastou de cabeça para a entrada da área, o capitão gremista pegou de primeira, de pé esquerdo, no ângulo esquerdo de Raul. A bola ainda bateu no poste antes de entrar.
Festa da torcida gremista!
Festa de Hugo de León!

O resultado final não foi aquele esperado, mas acabou fazendo justiça à boa atuação e à qualidade das duas equipes.
O presidente Fábio Koff ficou indignado com a atuação do árbitro e chamou Arnaldo César Coelho de “ladrão”. O Vice de Futebol, Alberto Galia, também mostrou seu descontentamento.
A única alternativa era buscar duas vitórias na Bolívia, contra Blooming e Bolívar, algo inédito até então na história da Libertadores. (Gremio.net)


"Entretanto, para passar por esta primeira fase da Libertadores, o time teve mais do que a orientação do zagueiro uruguaio. Precisou também de um gol seu no empate por 1x1 com o Flamengo, em Porto Alegre, em março. No gol adversário, a falha fora sua, perdendo a bola para Zico, que deu o passe para Baltazar. Aí ele virou fera outra vez. Foi para o ataque como um guerreiro e lembrando seus tempos de meia-direita no juvenil do Nacional, acertou um belo chute no ângulo de Raul" (Placar)


GREMIO: Remi; Paulo Roberto, Leandro, De León e Casemiro; China, Bonamigo e Tita; Tarciso (Renato), César e Tonho (Lambari)
Técnico: Valdir Espinosa

FLAMENGO: Raul; Leandro, Figueredo, Marinho e Ademar; Andrade, Adílio e Zico; Robertinho (Édson), Baltazar e Lico;
Técnico: Paulo Cesar Carpegiani

Local: Estádio Olímpico (Porto Alegre)
Público:43.125 pagantes
Renda: CR$ 33.610.000,00

Juiz: Arnaldo Cezar Coelho, auxiliado por Romualdo Arpi Filho e José de Assis Aragão
Gols:Baltazar (FLA – 16 do 1ºT), De León (GRE – 35 do 2ºT)

A competição

A libertadores de 1983 era composta por 21 times. O campeão do ano anterior, Penãrol, estava classificado automaticamente para a segunda fase. Os outros 20 times foram dividos em 5 grupos de 4, apenas o 1°lugar de cada grupo avançava para a segunda fase, onde esses 5 times, mais o Penãrol formavam dois triangulares. Os Campeões de cada triamgular faziam as finais. Vejamos os Grupos.

Grupo 1 [Argentina, Chile]
Estudiantes (La Plata)
Ferro Carril Oeste (Buenos Aires)
Cobreloa (Calama)
Colo Colo (Santiago)

Grupo 2 [Brasil, Bolívia]
Grêmio (Porto Alegre)
Flamengo (Rio de Janeiro)
Bolívar (La Paz)
Blooming (Santa Cruz)

Grupo 3 [Colombia, Peru]
América (Cali)
Tolima (Ibagué)
Universitario (Lima)
Alianza (Lima)

Grupo 4 [Equador, Venezuela]
El Nacional (Quito)
Barcelona (Guayaquil)
Táchira (San Cristóbal)
Atlético (San Cristóbal)

Grupo 5 [Uruguai, Paraguai]
Nacional (Montevideo)
Wanderers (Montevideo)
Nacional (Asunción)
Olimpia (Asunción)

Antecedentes



"Num fim de tarde, Fábio Koff chega ao sítio de Rudi Armin Petry em Viamão. Ia começar o ano de 1983. O bicampeonato brasileiro escapara dentro do Olímpico.

- Preciso de ti.

- Não, não tenho condições de aceitar.

Corre a noite. Koff não convence o presidente do hexa a voltar para o vestiário gremista. “Depois me deu um remorso, pensei: gosto do Grêmio, tenho tempo, posso ajudar”.

Na manhã seguinte vai ao Olímpico.

- Fábio, eu aceito a direção de futebol, mas não total. Tu tens que me dar um vice-presidente ou um diretor porque sozinho eu não agüento mais.

Alberto Galia foi o escolhido para ser vice de futebol com Petry como diretor" (Felipe Prestes - Impedimento - 04/09/2009)






O Grêmio se classificou para a libertadores de 1983 como vice-campeão do campeonato brasileiro de 1982. O gremio perdeu o título numa final disputaa em três jogos. Empatou o primeiro jogo no maracanã em 1x1 (gol de Tonho para o Grêmio; Zico para o Flamengo), novo empate no segundo jogo: 0 x 0 no olímpico e perdeu o terceiro jogo no olímpico por 1 x 0.



GRÊMIO 0X1 FLAMENGO

GRÊMIO: Leão, Paulo Roberto, Newmar, De León e Paulo César; Batista, Paulo Isidoro e
Vílson Tadei; Renato, Baltazar (Paulinho) e Tonho (Odair).
Técnico: Ênio Andrade.

FLAMENGO: Raul, Leandro (Antunes), Marinho, Figueiredo e Júnior; Andrade, Adílio e
Zico; Tita, Nunes (Vítor) e Lico.
Técnico: Paulo César Carpegiani

25/abril/1982
Local: Olímpico (Porto Alegre-RS);
Juiz: Oscar Scolfaro (SP);
Público Presente: 62.256 espectadores;
Gol: Nunes 10 do 1º tempo;
Cartão Amarelo: Newmar, Tonho, Nunes e Lico;